quarta-feira, 31 de outubro de 2007

DE CORAÇÃO P'RA CORAÇÃO!... (II)




... No doce enlace de fraternos laços,
eu desejo escrever "olhos nos olhos",
e navegar em águas sem escolhos!...
Mas, confesso: adorei "braços nos braços"!


(Dilma Damasceno)
Natal/RN, 06 Outubro de 2007
13:40 horas

DE CORAÇÃO P'RA CORAÇÃO!... (I)



Aqui,
registra-se "de fato",
o marco decisivo
de um novo e emocionante ciclo de minha vida...
que desejo vivenciar até o final dos meus dias!

Começa,
com um “Diálogo de Corações
que me deixou completamente encantada com a exteriorização
de quadras sentidas e recíprocas, impregnadas de cumplicidade...
que, neste momento,
estou a publicar... todavia, apresentando somente, as minhas...
o que passa a ter conotação de Monólogo!...

Mas, creio...
e tenho plena convicção,
de que os versos do Meu Doce Interagente,
serão acrescentados, em momento próprio!...

Entretanto,
se ocorrer o entendimento de que não devem ser transcritos...
não importa,
porque já os conheço de cor e salteado...
e já se encontram indelevelmente gravados,
no blogue da minha alma!...

Foram escritos para mim...
sentidos e expressados, em sintonia comigo...
de coração p'ra coração...
portanto, é a mim, que, legitimamente interessam!

E para ser franca,
fico até ciumenta que outras pessoas os leiam,
e se deleitem com o sentimento encantador que manifestam!...

Ao mesmo tempo,
o meu encantamento é tão grande, que,
"extrapola" o encanto de qualquer universo de contempladores!

E porque "extrapola"...
eis-me a registrar o maravilhoso começo do meu
eterno e novo...
miraculoso e sublime ciclo de vida,
protegido pelo Guardião do Amor Puro e Verdadeiro:
genuinamente, edificante...
profundamente, espiritualizado...
e, docemente, pertinaz!...


No pensamento, um lírico desenho
vai se formando e aprofundando laços!...
"Faço de conta" que me tens nos braços!...
"Faças de conta" que também te tenho!


(Dilma Damasceno)
Natal/RN, 06 de Outubro de 2007
00:45 horas

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

DIA DE REDENÇÃO!




Este, é um dia sonhado há muitos anos!...
É de um céu, sem nuvens nebulosas!
É um dia de luz... É um dia de rosas!...
É um dia feliz!... Sem dor!... Sem enganos!


Este, é um dia que sempre imaginei
escancarar a alma para o mundo!...
Escancarei!... Fiz isso, num segundo...
E quem eu fui... “tal e qual”, me revelei!


Este é o dia, do almejado “fico”
que me detém, com laços de candura!...
Em que me sinto redimida e pura!...
E quem eu sou, ao doce “Amor”, dedico!


Este, é um dia em que meu sentimento,
sereno, voa... sonha... canta... e dança,
de braços dados com a esperança...
sem amargor, sem mágoa, sem lamento!...


Soltei a voz!... Deixei voar meu grito!...
Minh’alma, agora, é livre do passado!...
E no meu peito... o "coração alado",
decola sonhos, rumo ao infinito!


(Dilma Damasceno)
Natal/RN, 23 de Outubro de 2007

terça-feira, 23 de outubro de 2007

OS TEUS CARINHOS!...




(OS TEUS CARINHOS)


Os teus carinhos, são de puro mel!...
Adoçam minha alma... me entontecem...
e me embriagam de prazer fremente!...
Os teus carinhos, doce menestrel...
invadem o meu ser , e me enternecem...
e me fazem sonhar candidamente!

És de uma safra dos melhores vinhos!
Mas que delícia, é, saborear
o inebriante mel dos teus carinhos!...
E como é bom, ao teu lado, caminhar!


(Dilma Damasceno)
08 de Outubro de 2007

CARTA ABERTA, AO AMOR!


Passei a vida inteira divagando...
a sonhar com o dia em que escreveria uma
carta aberta ao “Amor”!

Miraculosamente,
chegou o dia de realizar esse antigo
e acalentado sonho!

E agora, que concluí a minha saga pretérita...
e tenho que preparar o coração e a alma,
para as emoções da saga futura...
nada melhor que fazer isso,
em sintonia com um sentimento
puro, sincero, fraterno, solidário,
e de natureza espiritualizada e superior!
Mas, foi tanto que divaguei e que sonhei
em escrever tal carta,
que no momento de escrevê-la,
o pensamento rodopia, o olhar mareja...
e sem reservas, apelo ao coração e à alma,
que falem por mim...
Singelamente, limito-me a absorver...
CARTA ABERTA, AO AMOR!

Essência pura e cristalina...
Alma gentil e genuína...
Bálsamo que unge e cura os sofrimentos...
Ar que perfuma e entontece...
Fonte dos mais puros sentimentos...
Luz que irradia e aquece...
Ternura que acalenta...
Lucidez que ilumina a alma...
Doçura que alimenta...
Voz que embala e acalma,
Delicioso mensageiro...
Reflexo de serenidade!...
Eu te convido a seres meu parceiro...
a continuares me inspirando...
a prosseguires me ensinando...
a permaneceres em meu ser...
e ancorar nesse delírio de efusões!...
... Foi absorvendo tuas adoráveis lições,
que o meu coração voltou a bater
em pleno ritmo de felicidade!


(Dilma Damasceno)
Natal/RN, 14 Outubro de 2007

EM "CARTA ABERTA", EU ME RETRATO...

CARTA ABERTA AO POETA
POR QUEM CHOREI, EQUIVOCADAMENTE!


Hoje, é para retratar-me...
para pedir desculpas...
para penitenciar-me pelo meu equívoco,
em relação ao amor!

Sabes... foi tanto tempo que dormi...
que fiquei na clausura...
e no casulo...
foi tanto tempo que passei em completo estado de hibernação...
que confundi tudo!...

Penso que tenha sido a minha carência de amor,
a minha sede de carinho, a minha fome de doçura...
os longos anos que passei dormindo...
que enferrujaram o meu discernimento,
embaralhando os meus sentimentos,
e me levando a superestimar emoções e desejos...

Ou talvez, tenha sido porque,
quando o meu coração viu-se fora da toca
em que se encontrava...
fostes a primeira pessoa a me dizer coisas bonitas...
a falar de sonhos... a afagar o meu ego!...

E também,
porque mesmo eu já sendo uma mulher madura...
o meu espírito continuava criança...
ávido por atenções e agrados!

Seja lá o que tenha sido,
foi assim que me envolvi emocionalmente,
e cometi o equívoco de pensar que era amor,
o que sentia por Ti!...

Entretanto, foi encantamento...
“isso”, eu admito.
Porque, inegavelmente,
és culto, sábio, talentoso, envolvente...
e porque, indubitavelmente, és um Poeta Admirável!

Mas, foi um engano pensar que te amava sensualmente...
e te peço perdão por haver me enganado!

Todavia, só pude perceber isso, depois de ter sofrido e chorado...
e depois de ter ouvido uma voz profundamente lúcida e pura...
que me explicou de forma detalhada, generosa, e funda,
como são as relações, verdadeiramente, sensuais!...
E como não devem ser os envolvimentos virtuais,
entre seres de sexo oposto!

Foi só então, que me dei conta,
do quanto havia acordado ingênua,
na esfera sensual...

Nunca me telefonastes...
nunca sentistes o desejo de ouvir a minha voz...
e durante 6 (seis) meses de interação virtual,
nunca me convidastes
para conversar em nenhum site de relacionamentos...
conheço a tua voz,
através das poesias que declamas para a Net inteira...
não, porque tivestes declamado, para mim!...

Como não percebi tudo isso, antes...
como fui tão cega...
tão alheia...
tão desatenta?

Como pude sentir-me envolvida,
vivenciando uma interação alimentada apenas,
por e-mails?

E foi preciso ouvir a magnânima voz da lucidez,
para só então,
compreender a extensão da minha ingenuidade!

Só eu mesma,
com a minha alma demasiadamente crédula,
e literalmente, natural...
para imaginar que existia amor entre nós!

Hoje, eu posso declarar de forma fiel e definitiva:
o que existiu,
foi uma envolvente e efêmera ilusão...
uma grande, e dorida ilusão!
Felizmente, passou!...

Sim, eu te esqueci!
Agora, o meu coração está em paz!

Sejas Feliz!

(Dilma Damasceno)
Natal/RN, 23 Outubro de 2007

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

MINHA SAGA (FANTASIA VERSUS REALIDADE) - XI



EPÍLOGO


Deixei de ser a menina que sonhava
"sonhos cor de rosa",
de forma inconsciente!...

Deixei também,
de ser a adolescente que sonhava
"sonhos cor de rosa",
de forma despreparada...

Sem perceber,
passei a ser a mulher que sonha
"sonhos cor de rosa",
de forma madura, humana e apaixonada!

Não,
com uma pureza menor que a dos tempos
de menina!...

Não,
com uma esperança menor que a dos tempos
de adolescente!...

Mas,
com uma pureza e uma esperança,
de quem muito já sofreu e lutou nesta vida!...

Com uma força e uma paixão,
muito maiores...
pois que os sonhos foram cultivados
e amadurecidos!...

Sonhos
que foram interrompidos nos verdes anos,
deixando a alma e o coração, sedentos de ternura!...

Sonhos de uma safra distante...

que o tempo encarregou-se de curtir e de adoçar
o sabor...

e, que poderiam ser retomados com maior encanto...

com maior entusiasmo...

com maior doçura!

Sonhos,
que seria maravilhoso dividir com o
"
amor verdadeiro"...

pelo resto da minha vida!


(Dilma Damasceno)

MINHA SAGA (FANTASIA VERSUS REALIDADE) - X



“ENCONTRANDO O ARCO-ÍRIS”


(Permissa vênia, para inserir algumas manifestações
de textos publicados neste blogue)


Essa "coisa" de divisa entre a realidade e a fantasia...
deve ter um papel relevante no comportamento das pessoas!...
Fico imaginando, se não existisse a fantasia, como, pessoas
com a minha natureza, conseguiriam sobreviver!

O mais gostoso do sonho, é que, nele, tudo podemos!
Anestesiamos os sentidos, e a dor funda e forte, desaparece!
Com um simples "estalar de dedos", tudo se transforma!...

O sol brilha na chuva...
a primavera floresce no outono!...

Nos últimos dias,
tenho sentido freqüentes desejos de reler:
"OLHAI OS LÍRIOS DO CAMPO"!

Nunca me identifiquei tanto com um personagem,
como com a "Olívia", da história!...

Foi lendo esse belo romance de "Érico Veríssimo",
que muito cedo, descobri a importância das estrelas!...

E desde então, nos momentos de maior dificuldade...
quando a tristeza, a solidão e a saudade,
invadem minha alma e apertam meu coração...
penso nas palavras de Olívia:

"Olha as estrelas.
Enquanto elas brilharem, haverá esperança na vida
"!

Conforta-me, na madrugada alta,
abrir a janela e contemplar o céu, a lua, as estrelas!

Sou apaixonada pela lua!...
Na fase crescente, ela me enternece!...
Na fase cheia, me fascina!

E quando a lua brilha no céu, cercada de luminosas estrelas!...
E quando tudo é silêncio,
e apenas o vento parece sussurrar promessas de amor!...
Tenho sentimentos múltiplos e incontroláveis:
de força e de fraqueza; de paz e de luta;
de alegria e de tristeza; de pecado e de perdão!

E mesmo sem saber "de onde vim",
nem "para onde vou",
uma certeza pertinaz fala alto em meus pensamentos,
e, em meu coração:

Sem "esperança", nada, teria sentido!

"Tens de acreditar que os ventos soprarão;
Crer na grama nos dias de neve.
É por esta razão que o pássaro pode cantar:
Em seu dia mais escuro, acredita na primavera"!
(DOUGLAS MALLOCH)

O ser humano é uma fonte inesgotável de sentimentos!...
Essa mania que tenho, de "falar pelos cotovelos",
faz parte da minha natureza!

Eu sempre me senti um pouco, a "Maria" do filme
"A NOVIÇA REBELDE",
pois, como ela, não consigo resistir aos apelos do coração!

Essa explosão de "sentimentalismo", que manifesto,
também faz parte da minha natureza!...

E mesmo que pareça incompreensível,
pode proporcionar maravilhas, como por exemplo:

um "oásis de calor humano, num deserto
de cálculos e alíquotas
"!

Essa coisa de "fantasia", que tenho,
alimenta e fortalece a minha natureza!...

Não me exorta a disputar coisa alguma,
nem me estimula a ser "mais" ou "menos" do que sou!...

Porém me faz entender que,
vale a pena sonhar e acreditar no amor verdadeiro!...

E, que embora o sonho não se realize,
o amor verdadeiro, existe!...

Pois se não fosse assim, não existiria
dor, alegria, tristeza, paixão, ternura, desejo, saudade!

"A neve e as tempestades matam as flores,
mas nada podem contra as sementes."
(GIBRAN KHALIL GIBRAN)

Descobri que amo os rios que trilham íngremes montanhas,
para buscar o descanso no remanso do mar azul!...

Quem sabe, chegará o dia, em que direi:

A“minha saga”,
foi um rio que passou em minha vida”?!...

“Só o semelhante pode atuar sobre o semelhante.
Assim, não melhoreis, senão pelo raciocínio.
Não comovais, senão pela emoção.
E não procureis excitar amor, senão pelo amor.
Sede aquilo em que quereis transformar os outros.
Que seja uma prédica o vosso ser, não as vossas palavras.”

(Mensagem colhida no Diário Íntimo de AMIEL)


Sem poesia e sem sonho, não vivo!

Envolvida nesse turbulento processo, denominado “Vida”...
e nessa delirante maratona, denominada “Viver”...
uso este espaço para registrar o sentimento:


De degrau em degrau, aqui cheguei
com meus enredos e conjecturas,
no lastro firme da tenacidade.
Peço perdão a Deus, porque pequei!
Na construção dos sonhos, fiz loucuras,
em parceria com a liberdade!

Meu pensamento, eterno sonhador,
deseja ainda, construir imagens,
ao livre arbítrio da ontologia.
E quando um dia, daqui, eu me for,
hei de sonhar, então, n’outras paisagens!...
Queira Deus, no degrau da poesia!


Tenho consciência de haver extrapolado alguns limites,
em função das lutas que precisei enfrentar!

E embora, já me sinta ligeiramente "cansada de guerra",
continuarei lutando!...

O medo, me ensinou a ser corajosa!
A fraqueza, me impulsionou a ser forte!
A solidão, me estimulou a pensar ainda mais, no amor!

Apaixonadamente,
sinto desejos de acordar os sonhos!...

E travestida de “borboleta”...

experimentar as asas...

e, voar...
de encontro ao "Arco-Íris"!


(Dilma Damasceno)

MINHA SAGA (FANTASIA VERSUS REALIDADE) - IX




“SOB A LUZ DAS ESTRELAS”



Não sei o que está acontecendo comigo!

Ainda ontem, eu queria acordar de um longo sono!...
Hoje, tudo quanto quero, é sonhar, e mais nada!

Teria sido “àquele passarinho azul”,
que pousou pertinho do meu coração, e com seu gorjeio terno e doce,
despertou em mim, esse desejo fremente e pertinaz?!...

Ou teria sido “àquela nuvem luminosa”,
que passou ligeira e graciosa, e me fez um aceno carinhoso,
extasiando o meu olhar,
e fazendo esse alvoroço em minha alma?!...

Mas também pode ter sido “àquela rosa vermelha”,
que encontrei à margem do riacho,
e contemplei como se visse uma jóia preciosa,
brilhando, pura, na manhã ensolarada!

Ou então, “àquela borboleta amarela”, que faceira e sedutora,
fez ziguezague no meu sonho,
desenhando carícias de amor e doçura, no âmago do meu ser!

O que seria da minha vida,
sem emoções dessa natureza?

O que seria do meu coração,
sem o ardor da poesia?

E minha alma, - como suportaria
viver, sem essa doce ternura?

“Um Deus habita em nós!
Quando Ele se agita, enche-se de ardor o nosso espírito.
Esse impulso, faz com germinem as sementes da divina inspiração”.
(Ovídio – Fastos, liv. VI, v. 5 a 9).

Sinto-me completamente encantada!

Aqui...
Agora...
Sob a luz das estrelas,
adolesço!...

E finalmente, posso vislumbrar à luz do encantamento...
os meus sonhos cor de rosa”!


(Dilma Damasceno)

MINHA SAGA (FANTASIA VERSUS REALIDADE) - VIII




“O MILAGRE DA METAMORFOSE”



O Século XXI, foi chegando com feições impregnadas de luz,
ecletismo, versatilidade, manifestações naturais!

Em cada esquina, um sinal da evolução do ser humano!
Em cada canto, uma demonstração da existência de Deus!

A vida, indiferente aos desejos, esperanças, e sonhos,
anda, corre, voa, e passa, como se fosse um alucinado cometa!

Não sei se poderei acompanhar tanta evolução!...
Mas, penso:


Pouco a pouco, sem quase perceber,
de degrau em degrau, estou chegando
ao destino da minha caminhada!
Sem conseguir, as emoções, conter,
de degrau em degrau, sigo, escutando
meu coração, pulsar, em disparada!


E como se não bastasse, ainda me surpreendo,
pensando nos encantos e desencantos da vida!...

Não consigo evitar a melancolia!...
Talvez, porque, neste momento, esteja chovendo lá fora...
e também, porque esteja chovendo em meu coração!
E então, versejo:


CHUVA E MEMÓRIAS

“O passado é um segundo coração que bate em nós.”
(HENRY BATAILLE)


A chuva cai lentamente
sobre o chão acinzentado.
Sinto um desejo latente,
de recordar o passado:

Minha infância de pureza!...
O meu lindo gato, “China”.
As coisas da natureza,
que me tiveram “menina”!

A chuva cai docemente
e se espreguiça no chão.
Uma saudade dolente,
aperta o meu coração!...

Minha infância, longe, vai!...
Morreu, meu querido gato!
A lágrima, que agora, cai,
é de puro substrato!

A chuva cai, deslizando,
apaixonada!... Feliz!
E assim... vou recordando
os sonhos primaveris.

E a chuva, sem saber
da minha metamorfose,
cai gentilmente, a correr
em perfeita apoteose!

Meus olhos, enternecidos,
contemplam “visões reais”!...
Lembranças dos tempos idos!...
Memórias que a chuva traz!

Com graça e simplicidade,
a chuva cai, pura e mansa!...
Ai, meu Deus! Quanta saudade
dos meus tempos de criança!


Vivendo e Aprendendo”,
tento acompanhar a corrida do tempo!

E embalada pela força do sentimento espiritual,
deposito meus sonhos, desejos e esperanças,
no milagre da metamorfose.

Mas por que, nesta peça, eu não consigo estabelecer a prosa?!...


Eu que jamais pequei por omissão,
tenho por lema, o uso da franqueza,
muito embora, a verdade, às vezes, doa!
Ouvindo sempre a voz do coração,
vou caminhando, e com a natureza,
meu pensamento, apaixonado, voa!


Acho que, finalmente, encontrei o meu lugar,
a minha verdade, o meu destino!

Mergulho em águas tépidas,
que lavam minhas culpas e pecados,
e purificam pensamentos, emoções e sentimentos!

A natureza me acolhe, me abraça, me afaga, me envolve!

As fantasias e as paixões cândidas, permanecerão indeléveis,
porém, gravadas na memória de um tempo que não volta mais!

Definitivamente, acho que é hora de acordar!


(Dilma Damasceno)

MINHA SAGA (FANTASIA VERSUS REALIDADE) - VII




“SUPORTANDO LIMITAÇÕES”



Voltava da Chácara que tenho perto de Natal...
e na BR, próximo ao Aeroporto de Parnamirim/RN,
sofri um acidente de trânsito.

O meu automóvel havia saído da revisão,
e em decorrência de falha mecânica,
quebrou-se a barra de direção, e perdi o controle do veículo.

Ao perceber que não tinha mais controle,
procurei manter a calma, e silenciosamente,
rezei para que tudo terminasse bem.

Deus me atendeu!
As pessoas que vinham comigo, nada sofreram, além do susto!

Eu, que me encontrava dirigindo,
no impacto do veículo com o meio-fio,
fiquei com o pé esquerdo preso entre os pedais de freio e de embreagem,
e sofri uma fratura de natureza grave, na articulação do tornozelo.

Submeti-me a uma cirurgia,
e precisei ficar 6 (seis) meses em cadeira de rodas,
e depois 6 (seis) meses, usando muletas.

Os médicos prognosticaram que, provavelmente,
eu perderia 10% (dez por cento) do movimento normal da articulação.

Conversei muito com Deus, do meu jeito!...

Deus me compreendeu, foi generoso comigo,
e voltei a andar com os 100% (cem por cento) de movimentação articular.
Tive também a sorte de não ficar com nenhuma deficiência física...

Mas fiquei com “seqüela funcional”,
que se manifesta quando me excedo em esforços físicos,
envolvendo a articulação do tornozelo...
em momentos assim, sinto dores!

Foram tempos bem difíceis!

Eu me encontrava iniciando a construção de um Chalé,
na Praia do Sagi, - uma linda praia, distrito de Baía Formosa/RN,
na divisa com o Estado da Paraíba.

Precisei interromper a construção...
e depois de minha completa recuperação,
já não tive estímulo para continuar construindo.

Em relação ao trabalho, eu poderia ter ficado de licença médica,
no mínimo, por 6 (seis) meses...

Falei com a Diretoria da Empresa, e externei o desejo
de continuar trabalhando...

Eu exercia uma alta função,
e era bastante requisitada profissionalmente...

A Diretoria Plena...
em caráter especial, concordou.

O bom amigo, que Deus chamou para o plano espiritual
e (que também exercia uma alta função),
providenciou uma sala com instalações adequadas
para àquela fase complicada.

O Serviço Médico da Empresa
disponibilizou enfermeiros para cuidarem de mim,
inclusive de minha locomoção diária,
para a fisioterapia e para o trabalho.

No trabalho, e em casa,
todos me atenderam com atenção e cuidado...
E graças a Deus, tudo terminou bem!

Confesso que, nunca emiti tantos pareceres jurídicos,
como naqueles meses!

Por que estou relatando tais fatos?!...

- Porque me propus a fazer chegar ao conhecimento dos meus Leitores,
acontecimentos que me possuíram, ou, marcaram,
no curso de minha trajetória de vida!

(Dilma Damasceno)

MINHA SAGA (FANTASIA VERSUS REALIDADE) - VI




“REDESCOBRINDO A LIBERDADE”


Nunca tive um namorado real, na acepção da palavra!

Acho, que estava certo o meu cunhado “Prêntice”,
maestro (casado com minha irmã caçula), quando
numa tarde em que nos reuníamos: Eu, minha irmã, e Ele...
evocando a música “Garota Solitária”,
interpretada por Ângela Maria, pronunciou-se:

"Você tem o destino da lua...
a todos, encanta... e, não é de ninguém"!


Nos últimos 18 (dezoito) anos, tive alegrias e tristezas...
vitórias e fracassos... lucros e perdas!

Após desligar-me “de fato”, do pai de Allan,
optei por ficar sozinha!...
Não, por falta de pretendentes, pois em verdade,
surgiram alguns interessados.
Simplesmente, não me dispus a aceitar nenhum!

Em 1990, 2 (dois) anos depois de separada,
um cidadão que me conhecera quando eu era adolescente,
tomou conhecimento de que eu me encontrava sozinha, e veio me procurar...
na oportunidade, relatou que sempre esteve acompanhando a minha vida,
de longe... e que sempre tivera admiração por mim...
e que gostaria de conhecer-me melhor... etc..., etc..., etc...

Esclareci que havia me separado do pai de Allan, porque,
finalmente percebera que o meu “casamento”, tinha sido um grande erro...
mas não me sentia preparada para um novo relacionamento, pois em verdade,
naquele momento, eu desejava ficar apenas comigo mesma...
eu queria rever meus sentimentos, repensar meus valores,
resgatar os meus sonhos e desejos da adolescência!
A minha liberdade, eu preferia, voltada para o sentido de tomar
as minhas próprias decisões!

Ele ainda argumentou, insistiu, mas não me senti motivada!
E da mesma forma, como tentou reaproximar-se, afastou-se.
Nunca mais, soube Dele... espero que esteja bem!

O mais interessante, é que no momento de separar-me
do Pai de Allan, eu não me preocupei com o motivo principal
que motivara o nosso relacionamento!

E de repente, lá estava eu, novamente exposta à cobiça de alguns homens
que não sabem ver uma mulher sozinha!

Fiquei um certo tempo, procurando formas de evitar algumas aproximações
que ocorriam constantemente, por força do meu trabalho e das funções
que ocupava (consideradas importantes),
e ocasionavam contatos com empresários, políticos, e executivos...
todos, de grande influência no campo econômico-social!

Só que, já formada em Direito, e ansiosa para exercitar
minhas próprias decisões, encarei o fato de ser uma mulher literalmente só,
como mais um desafio que deveria enfrentar e resolver!
Era como se estivesse retomando as armas... mas, de forma paciente e centrada!

A principal decisão, era: nada de relacionamento real... concreto!...
Mas, precisava... e como precisava, viver uma situação de utopia!...
Seria algo que alimentaria o meu cerne... aqueceria o meu coração...
embalaria a minha alma... enquanto não encontrasse o meu verdadeiro caminho!

Foi então, que tive um comportamento absurdo:
imaginei-me casada” com um ser como eu sempre sonhara encontrar...
Eu não me importava que Ele não fosse de carne e osso...
Eu tinha sido tão podada, tão negligenciada, tão preterida, tão enganada,
durante o relacionamento com um ser de carne e osso,
que eu não queria pensar em presença física!...
Naquele momento, eu me contentava em “fazer de conta” que a minha vida
era normal... e pensando assim, fiquei endeusando a minha fantasia...
e passei tanto tempo, entregue ao delírio da imaginação, que quando percebi
que não suportava mais viver, somente de sonho,
e que era hora de despedir-me daquele ciclo...
eu me senti “viúva”!

Eu sempre valorizei o sentimento da amizade pura e verdadeira!
Na COSERN, tive um amigo, que representou muito na minha vida profissional.
Ele sempre foi solidário comigo, sempre me ajudou a solucionar
embaraços e dificuldades no trabalho,
e sempre retribuí as atenções, com verdadeira amizade.

Em Março de 2000, o meu bom amigo, adoeceu, e os exames médicos
evidenciaram um CA de cabeça de pâncreas, em fase final.

Em poucos dias, Ele ingressou na esfera espiritual. Sua partida,
deixou uma grande saudade, pois foi um amigo fraterno e verdadeiro...
e declaradamente, torcia pela minha felicidade!

Como já mencionei na peça inicial, tenho poucos amigos.
Perder um amigo especial, dói demais!
Senti-me roubada e enfraquecida!

Misteriosamente, decorrido pouco tempo de sua partida,
tive um emocionante sonho com Ele, me dizendo que continuava
torcendo por mim, e que eu ainda seria muito feliz!

Mais reconfortada, resolvi fazer um balanço de minha vida...
e me assustei, quando percebi que terminara o meu relacionamento,
há 12 (doze) anos, e continuava sozinha!

Onde estaria o meu sonhado “príncipe encantado”?

Eu só desejava um relacionamento,
se fosse para viver o grande e verdadeiro amor...
e apesar de tanto tempo decorrido,
ninguém havia me despertado esse lindo sentimento...
e assim, a vida ia passando!

Liberdade para amar, eu tinha!
Mas, o amor, continuava sendo apenas um sonho!
Foi então que tive uma imagem precisa da minha realidade:

Não existia ninguém me esperando!

Eu poderia sair... fazer o que bem entendesse...
Voltar na hora que quisesse... e ninguém se importaria!...
Porque, simplesmente, eu não tinha para quem voltar!
A liberdade estava ao meu dispor...
e eu não sabia o que fazer com ela!

Lembro-me que em agosto de 2000, inexplicavelmente,
eu me sentia desejosa de aquietar o coração!
Mas como também me sentia “assustadoramente solitária”,
procurava driblar a solidão, da forma que mais me acalma:
lendo e escrevendo!

Foi então, que fui incentivada a me inscrever nos Sites:
AMIGOS VIRTUAIS, e COMOVAI.

Fiz a inscrição, desejando encontrar pessoas confiáveis e solidárias,
que tivessem afinidade comigo, objetivando a troca de conhecimentos
e de informações interessantes!

Tive sorte e encontrei pessoas especiais.
Como sempre fui bastante seletiva, tive apenas, dois correspondentes:

Em AMIGOS VIRTUAIS, um correspondente de Curitiba/PR,
que me encantou com mensagens bem escritas, respeitosas, e amáveis...
Foi uma agradável interação virtual... breve, porém, inesquecível!

No COMOVAI, no meio do oceano,
Um ser humano nota “mil”, com quem aprendi a “gostar
de forma singular e silenciosa, com imensurável carinho!

Como vêem, encontrar a alma gêmea, não acontece facilmente!
E eu que pensei que exercitar a “liberdade” na plenitude da expressão,
seria simples!

Mas, não será por isso que esquecerei os meus desejos!
Nesta ciranda, eu quero mais,
é ensaiar novos passos, em parceria com a esperança,
e em direção ao sonho!

Quem sabe, na próxima parada, não encontro o sonhado
amor, sublime amor”?!...


(Dilma Damasceno)

MINHA SAGA (FANTASIA VERSUS REALIDADE) - V




“CONVIVENDO COM A CLAUSURA”



Nasci com o nascer do sol!...
No momento em que o sol se levanta!

Sou do signo de Leão, com ascendente também em Leão.
Nunca me dei bem com a inércia.
Jamais me acomodei.

Acho que por ser assim,
apesar da gravidade dos acidentes que sofri,
procurei superar as amarguras e os desencantos,
ocupando a mente com pensamentos de fé e de perseverança!

Decidi que,
nem a violência de criaturas desumanas,
nem a violência das águas turbulentas,
ceifariam meus ideais!...
E que, por mais ásperos que fossem os meus caminhos,
eu haveria de enfrentá-los!... Sem medos, e sem hesitações!

Redobrei os trabalhos, e me dediquei intensamente aos estudos.
Felizmente, a chama da esperança continuava acesa em meu íntimo!

Passei a ler mais... e resolvi participar de alguns concursos.
Fui aprovada em diversos, dentre os quais,
concurso realizado pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte,
para o cargo de Escrivã e Tabeliã,
e concurso realizado para o Cargo de Contadora
da Prefeitura de Caicó/RN.

O então, Prefeito, após nomear-me, resolveu me oferecer 01 (um) curso,
custeado pela Prefeitura, precisamente, no lindo Rio de Janeiro,
onde passei alguns meses, unicamente estudando no
INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL – IBAM.

Posteriormente, fiz outros cursos no IBAM,
e, na FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS - FGV!

Cumpre-me confessar, que a temporada no Rio de Janeiro
(Cidade Maravilhosa), me fez um enorme bem,
e, me deu disposição para cuidar da aparência!
Mesmo assim, eu não me interessei por ninguém,
e nem pensei em namoro!...
Os meus sonhos, continuavam dormindo!

No meu retorno à Caicó,
assumi duas funções de alta importância,
em relação às oportunidades de trabalho da Cidade:
ocupei, cumulativamente, as funções de Chefe da Contabilidade,
e, de Secretária de Finanças do Município.

Àquelas funções, me deixaram numa posição privilegiada,
e as mesmas pessoas que, antes,
me lançavam olhares de censura, passaram a me bajular!
Entretanto, eu encarava tudo, de forma indiferente!

No campo sensual, em me sentia em completo estado de hibernação.
Os olhares, os telefonemas, e os assédios, continuavam...
eu me sentia céptica, revoltada, acuada, angustiada...
e me isolava mais e mais!

Minha vida se limitava ao trabalho... o meu lazer e/ou entretenimento,
restringia-se ao campo literário (ler e escrever),
e às ações de natureza comunitária: Orfanatos e Asilos!

Eu era extremamente anti-social.
Minhas raras aparições em Sociedade, se limitavam aos compromissos
decorrentes das minhas funções laborais.

Nos despachos com o Prefeito,
Ele se mostrava gentil, educado, e amigo!
Sempre me prestigiava, e demonstrava uma amizade desinteressada.

Inúmeras vezes, viajamos juntos, para
Congressos, Simpósios, e Reuniões Administrativas.
Discreto e sério, quando me via taciturna,
respeitava o meu silêncio, e muitas vezes, me sugeria um bom livro, que,
segundo Ele, poderia melhorar o meu estado de espírito!
Sempre me tratou com o maior respeito!...
Pela forma como me tratava, merecidamente, conquistou o meu
reconhecimento, e aos poucos, conquistou a minha total confiança!...
E, por ser bastante culto e inteligente, advogado brilhante, e grande orador,
conquistou também, a minha fervorosa admiração!

Numa das viagens de trabalho, jantamos juntos...
e durante a conversação, me indagou se eu tinha namorado!...
Eu não tinha!

Havia rapazes que demonstravam interesse por mim,
muito embora eu não incentivasse qualquer aproximação.
Em verdade, eu não confiava nos pensamentos e nas intenções
dos representantes do sexo oposto!
Eu até poderia dizer, que tinha supostos pretendentes...
Mas, namorado, mesmo, eu não tinha!

Então, Ele encheu-se de entusiasmo, e declarou:
- Que, sabendo do que me acontecera...
e vendo-me tão jovem e atraente, e ao mesmo tempo, sempre tão séria,
pensativa, triste, e dedicada exclusivamente ao trabalho,
tinha se aproximado de mim, com o firme propósito de ajudar-me
a superar os meus traumatismos sentimentais...
- Que tinha feito tudo para evitar "envolver-se",
mas não tinha conseguido...

Diante de mim, portanto, um homem que eu admirava
como ser humano e como profissional... que sempre demonstrara ser
meu amigo e protetor... e que se declarava envolvido!
Naquele momento, dependia apenas de mim, considerar ou não,
o envolvimento que estava sendo revelado...

Não sei o que me deu!... Não consegui repelir!
E até hoje, eu fico a me perguntar:

Onde estava a “mulher guerreira”, naquele momento
de extrema fraqueza?!...

Eu já não suportava mais, levar "cantadas"... e, me fazia bem saber
que um homem experiente e qualificado, se interessava seriamente por mim!

Senti-me gratificada e envolvida! Mas, posso assegurar que
os pensamentos assimilados naquele momento, foram de:
proteção, confiança, admiração, reconhecimento, respeito, e resignação.

Pensei que podia ser o momento do “cessar fogo”, de recolher as armas,
e assinar um “Tratado de Paz” com a vida!

Minhas fantasias, estavam inertes... estranhamente, eu não sonhava...
não acreditava mais em contos de fada... e caminhava, como quem caminha
em constante perigo de afundar em areias movediças...

Eu vivia tentando equilibrar-me na linha da vida...
como quem procura o equilíbrio para não cair da corda bamba...
Eu sabia... eu sentia, que bastaria um descuido de minha parte...
e os leões estavam na tocaia... prontos para o ataque!...
Sabia também, que se um novo infortúnio me acontecesse,
eu morreria!

Aceitei a nova situação,
como quem se agarra à uma tábua de salvação!

Ele tinha 20 (vinte) anos a mais do que eu!
Para mim, portanto, começaria novo ciclo!...

Pensei nos meus “sonhos cor de rosa”, e na cerimônia
do “casamento simbólico, no mar”, que eu sempre idealizara,
mas que não se realizaria naquela forma de envolvimento!
E que talvez, não se realizasse jamais!

Decidi que mergulharia num “casulo”!...
E ali, eu haveria de ficar!...
Até quando?!...
Não sabia!

Resolvemos que nosso relacionamento, seria assumido em Natal/RN,
com a possibilidade de passarmos a residir no Rio de Janeiro/RJ.

Vim para Natal, desejosa de ampliar meus conhecimentos,
pois em Caicó, ainda não existia o Ensino Superior!

Passei a morar sozinha num pequeno apartamento que comprei financiado,
usando como “entrada”, parte das reservas que fizera...

Eu havia montado um Escritório de Contabilidade Pública, em Caicó,
e houve período de ter aos meus cuidados profissionais, 15 (quinze) Prefeituras.
Eu trabalhava arduamente, e não descansava nem mesmo, nos feriados.
Em verdade, eu me alimentava de trabalho, e obviamente,
tinha um bom faturamento.
Mas, nunca fui gananciosa, e nunca procurei viver com luxo!
Quando sobrava um dinheirinho, eu destinava às causas que
desde cedo, abracei... que envolviam mobilizações de assistência
aos “asilos” e “orfanatos”!

O homem que desarmou a “mulher guerreira”,
não veio para Natal, exclusivamente por minha causa!
Não me importei!...

Mas, por que, meu Deus, a “mulher guerreira”, não retomou as armas,
e evitou àquela nova fraqueza?!...

- A dureza da vida havia me transformado
numa pessoa sem maiores desejos!

Ele demonstrava ter um forte sentimento por mim!...
eu via nele, um mito... um ser superior... um ídolo...
eu não enxergava propriamente, um ser do sexo oposto...
eu via um ser magnânimo... uma fonte de conhecimentos,
que me causava a impressão, de ser inesgotável...

Ingenuamente, eu acreditava que existia entre nós,
um sentimento de pura predestinação!

E eis que nossa predestinação se manteve por quase 18 (dezoito) anos!...
Tempo, que para mim, foi uma compulsória eternidade,
pois, caracterizou-se marcado pela solidão e pela clausura!

Com ele, tive o meu único filho...
O que de bom me aconteceu, em nosso relacionamento:
Allan, um ser humano especial, verdadeiro, puro e doce,
inteligente, responsável, e solidário...
em suma: um filho maravilhoso!...
Mais que filho, Allan é meu melhor amigo e meu fiel confidente!

É duro ter que mencionar certos fatos...
porém, atrelada ao sentimento de franqueza que me rege,
e ao propósito de falar, de coração aberto, cumpre-me relatar:

O pai de Allan, foi para mim:
chefe, conselheiro, pai, irmão, protetor, amigo, e, “amante”!...
mas, não foi meu companheiro!

Como "cara metade", Ele foi o meu maior engano...
o meu maior pecado... e a minha maior fraqueza... considerando,
os longos anos de desprendimento, e de renúncia, de minha parte!...
Como também, os momentos marcantes de minha vida,
em que Ele sempre me deixou sozinha!

Foi assim, quando perdi a minha mãe!...
Quando fui para a maternidade, ter o nosso filho!...
Quando levei Allan para iniciar os estudos...
e, quando colei grau em cursos superiores!

Vale salientar que, tão logo cheguei em Natal,
fui convidada para um cargo de confiança na Prefeitura...
- Aceitei!

Depois, retomei os estudos!
Ampliei meus conhecimentos contábeis à nível de licenciatura plena...
Fiz "Serviço Social"... e, em seguida, “Direito”!

Depois de colar grau em Direito, submeti-me a um concurso
na área jurídica, e, aprovada, passei a trabalhar como advogada da
COMPANHIA ENERGÉTICA DO RIO GRANDE DO NORTE - COSERN!

Eu sempre me sustentei!
Nunca aceitei “nada”, do meu ex-parceiro,
além do filho que Deus me permitiu ter!

Dói-me constatar que, da mesma forma que Ele foi “ausente”, comigo...
também foi “ausente” com o filho!... E de uma ausência absurda e injusta!
Que fosse “ausente” comigo, que permiti suas omissões,
eu podia suportar...
Mas, “ausente” com Allan, com o próprio filho...
isso”, sempre foi extremamente doloroso e insuportável para mim!

Entretanto, vale ressaltar que, as desilusões sofridas,
contribuíram para aumentar ainda mais, o meu senso de responsabilidade!...
Eu havia colocado um filho no mundo... e precisava cuidar dele!...
Além de amá-lo, eu precisava protegê-lo... defendê-lo dos perigos...
educá-lo... e prepará-lo para a vida!

E, consciente da realidade que deveria enfrentar, sozinha,
o meu espírito de luta tornou-se mais forte!

A solidão, porém, começava a doer!

Castigada pela fome de carinho, e, pela sede de ternura,
eu suportava o vazio, com transparente nostalgia!...

Amenizava minha solidão, de várias formas:
passando os finais de semana no campo (numa pequena Chácara)...
me cercando de plantas e de animais...
lendo e escrevendo poesias e crônicas...
e, por que não dizer?!...
- Divagando!

Já então, o sonho, teimava em ressurgir!...
E eu pressentia que minha vida, mais uma vez, iria mudar...

18 (dezoito) anos atrás (em 1988), adormeci "mal amada",
e acordei desejosa de assumir a minha solidão perante o mundo!

Como sempre fui extremamente leal e franca,
ao sentir-me completamente desmotivada, conversei com o
"meu quase tudo, menos companheiro",
e ficou decidido que daquele momento em diante,
não haveria mais “obrigações” entre nós!

Acho até que, indiretamente,
Ele me induziu a optar pelo fim do nosso relacionamento!...

Não seria pois,
o momento de ajoelhar-me no altar do arrependimento,
e penitenciar-me pelos pecados que cometi,
e pelas fraquezas que tive?!...

Ao mesmo tempo,
penso que a maior penitência, já se encontra remida...
diluída em 17 (dezessete) anos de enclausuramento!

Portanto, não podia parecer diferente!...
O decreto que me libertava da “clausura”,
tinha feição de auspicioso sonho!

Terminava assim, um importante e tumultuado ciclo de minha vida,
no qual eu me deixara envolver, dominar, conduzir!

Começaria o ciclo, no qual, a palavra “liberdade”,
seria exercitada na plenitude da expressão!


(Dilma Damasceno)

domingo, 7 de outubro de 2007

MINHA SAGA (FANTASIA VERSUS REALIDADE) - IV



“TEMPOS DE TURBULÊNCIA”


Adormecer "adolescente romântica", e acordar
"mulher guerreira", não era nada fácil de vivenciar!
Porém, o que fazer?
A lei da selva, falara mais alto!

O novo ciclo que se iniciava, era difícil, duro,
cheio de enigmas e de dificuldades.
Ali, não existia lugar para sonhos!
Imagine, só!...
Numa cidade pequena do alto sertão nordestino,
38 (trinta e nove) anos atrás, uma "coisa" como àquela!...
Era caso para execração em praça pública!
Por muito menos, o Bando de Lampião (Rei do Cangaço),
torturava e fuzilava!

Eis, que começava a fase de críticas,
de olhares indiscretos, de fofocas,
de cochichos!
Eu demonstrava indiferença.
Meu coração, estava fechado!...
A minha alma, vazia!
A mulher guerreira, pensava,
raçava planos,
consultava mapas!
Apesar dos pesares,
não pretendia renunciar definitivamente, aos sonhos!...
Deixá-los-ia à mercê do tempo,
para retomá-los no momento próprio!

O 1º passo, era procurar um trabalho.
O 2º, era ficar o máximo possível, distante de pessoas
do sexo masculino!

Consegui o primeiro trabalho, como "caixa",
numa grande loja de tecidos.
Mas, logo observei que o proprietário não tirava os olhos de mim,
e com apenas uma semana, passou a fazer certas insinuações.
Meu espírito,
então, muito alerta, farejou aborrecimentos e complicações.
Saí!

Procurei novo trabalho, e,
consegui uma vaga num Escritório de Contabilidade.
O dono, um senhor considerado íntegro e respeitável,
sempre me passava tarefas
para serem realizadas após o horário normal.
De vez em quando, eu o surpreendia
me olhando com olhar demorado!
Eu fazia de conta que não notava,
por dois motivos:
Primeiro,
porque sabia que Ele era um ser solidário e generoso;
segundo,
porque gostava do que fazia, e precisava do trabalho!
Felizmente,
Ele não se manifestou além da contemplação ardorosa,
e enquanto permaneci no Escritório,
pude trabalhar com tranqüilidade!

Algum tempo depois,
fiquei sabendo que um primo meu,
médico dedicado à pobreza,
deputado estadual e futuro candidato a Prefeito
da Cidade, havia recomendado que me tratassem bem
(vale considerar que no Interior,
os políticos com formação em medicina, sempre se destacam,
e são muito respeitados).
Coincidência ou não, o fato é que, em pouco tempo como
auxiliar de serviços contábeis”,
eu era requisitada para as tarefas
de maior responsabilidade.

Do Chefe e Dono do Escritório Contábil,
recebi ensinamentos importantes,
e sempre fui tratada com especial consideração.
Mais tarde, ao mudar-se da Cidade,
Ele me proporcionou a oportunidade
de substituí-lo em importante cargo,
na Prefeitura Municipal.

Nesse período, eu praticamente,
passava as noites, lendo e/ou escrevendo!...
Jorge Amado, Érico Veríssimo, A. J. Cronin,
José de Alencar, Augusto dos Anjos,
e J. G. de Araújo Jorge,
não saiam da mesa de cabeceira da minha cama.

Li toda a coleção:
"ANGÉLICA", de Anne e Serge Golon.
Dormia pouquíssimo.
Sentia ansiedade, palpitações, insônia!
Precisei procurar um médico,
que diagnosticou “distonia neurovegetativa”
(sei lá, como se escreve isso...),
e prescreveu "dienpax", salvo engano, 5 mg!
Pedia meu retorno de 15 em 15 dias.
E numa das consultas, notei que o seu olhar
percorria meu corpo, com insistência.
Encabulada, perguntei-lhe o que havia
de anormal, e Ele, completamente descontrolado, falou:
"se você quiser,
podemos ser mais do que médico e paciente
..."

Colhida pela surpresa, não achei o que responder.
E morrendo de angústia
e de vergonha, saí apressadamente,
e, nunca mais, voltei lá!
A tal da "distonia",
ficou por conta dos chás de canela,
de folha de laranja,
de erva doce,
e de camomila,
que minha mãe passou a fazer
para ver se eu conseguia dormir direito!

Entre um chá e outro, eu escrevia...


ALUCINAÇÕES


No silêncio angustiante do meu quarto,
tudo é saudade e nostalgia. Inquietação, também.
Extravasar meus sentimentos, não posso!
Entretanto, posso ouvir a voz do vento
e a voz do mar,
solidárias com meu tormento.

Existe romantismo em mim,
mas, só agora, compreendi que é inútil sonhar!...
A realidade é dura e fustigante,
como a vida do deserto abrasador.
Quisera ser feliz!

No meu “hoje” de cansaço e de tristeza,
existe um “ontem”, onde a nostalgia
flutua mansamente, tal qual um barco
a vagar em águas turvas e noite fria...
Quão triste é o pôr-do-sol!

A dor que me invade o peito
e me estraçalha a alma...
tem mistura de mágoa e de saudade...
faz-me lembrar dos sonhos que não tive...
e que não sei se chegarei a ter!
já não brilham as estrelas do meu universo...
e é bem grande o infinito do meu céu!
Quem sabe, eu já morri?
Preciso renascer!


Comecei a “achar” que havia alguma coisa errada comigo!
Por que os olhares masculinos eram tão insistentes?!...
Eu era pobre, e geralmente, me vestia com simplicidade.
Jamais fui leviana.
Nunca fui exibida!
Então, “por que”?!...

E muitas vezes, eu me surpreendi, pensando:
Meu Deus! Será que não existirá esperança para mim?

A partir do momento em que passei a trabalhar,
eu me transferi da Juventude
Operária Católica – JEC,
para a Juventude Operária Católica – JOC.
Eventualmente, ocorriam encontros religiosos,
com a participação de Jocistas de outras localidades.
Os trabalhos assistenciais me ajudavam a suportar os desencantos.
Eu costumava ir à missa aos domingos à tarde...
e sempre me confessava.
Numa das confissões,
resolvi falar de minhas inquietações sobre
"acho" e "por que?"...
e para minha surpresa, o Padre, externou:
"Filha, você transpira sexualidade por todos os poros"!

Rebati com veemência:
Padre, eu não penso em sexo, e nem penso mais no amor.
Já não sou mais uma adolescente romântica e sonhadora!...
Decidi que devo ser apenas, guerreira!
A tréplica foi ainda mais forte:
"Filha, nem que você fosse uma freira,
deixaria de despertar desejos
"!
Conclusão:
achei” que seria melhor passar a confessar-me diretamente com Deus!

A poesia fervilhava no meu íntimo!
Em alguns momentos, eu sentia ímpetos de gritar versos...



IMAGINAÇÃO


“Vai tocando: O teu destino foi gravado na areia.
Tudo é poema, criança. Você não sabe nada, felizmente:
saber é saber que não se sabe.”
(AUGUSTO MEYER)


Longe... Bem longe... Na voz do vento,
o mar transmite fluidos de amor!...
É noite alta!... No pensamento,
escuto queixas de um trovador...

Intensa e forte,
a tristeza grita,
e na noite, ecoa!
Sem luz... sem norte...
minh’alma, aflita,
delira, e voa!

O mar se cala. A viola geme. O poeta chora!
Depois, silêncio. Longe... bem longe...
Só o lamento de triste monge...
cuja esperança, já não vigora!


Até então, eu não prestava atenção em minha aparência!
Resolvi me olhar...
e constatei que meu corpo estava, bem modelado!
Minha cintura, de tão fina,
parecia, como na música de Luiz Gonzaga,
"cintura de pilão"!
Mesmo assim, na minha opinião, não existia nada
de extraordinário, nada de "tentador",
e nada de "transpirar sexualidade"!
Eu nunca superestimei meu aspecto físico ou minha compleição!
Sempre me achei uma pessoa comum!...
Sei porém, que sempre fui intimamente arrojada,
e que isso sempre transparecia
no meu olhar, nas minhas atitudes, na minha expressão!...
Não, de forma deliberada, e sim, naturalmente!...
Sem que eu conseguisse evitar!

Os assédios, continuavam.
Os olhares ousados e atrevidos, se multiplicavam.
Os telefonemas, e os famosos "trotes", não me davam sossego!
Eu me sentia como um animal ferido, acossado,
perseguido com fúria selvagem!
Nesses momentos, eu apelava para minha natureza rebelde,
que sempre me acudia!...

Com determinação, eu multiplicava esforços,
e prometia a mim mesma, que não me deixaria pegar!...
Que encontraria uma forma de escapar à perseguição!

Passei a agir como se fosse cega, surda, e muda.
Comecei a usar roupas
que escondiam minhas formas.
E "fiz de conta" que era assexuada!

A minha falta de sorte me transformara em objeto sexual
(só na cabeça dos meus perseguidores)!
A minha situação de vítima... a minha isenção de culpa,
não eram levadas em consideração!

Não, eu não tive a menor parcela de culpa em relação
à tragédia que me aconteceu!

Naquele dia, eu me encontrava num retiro espiritual promovido pela
Juventude Operária Católica - JOC!
Em certo momento, um jovem veio
em minha direção e me ofereceu um pouco de vinho!
Lembro-me de haver ficado surpresa com a abordagem,
pois em verdade, nunca havíamos trocado uma única palavra.
Em princípio, eu recusei o vinho oferecido,
mas fui incentivada por outros Jocistas,
a aceitar.
Como estava entre pessoas consideradas responsáveis,
aceitei!

Infelizmente, em pouco tempo, fiquei sonolenta,
e, de acordo com depoimentos
posteriores, logo, adormeci!
O jovem teria informado aos organizadores do “retiro”,
que iria me levar para minha casa, e, também,
de acordo com depoimentos posteriores,
não teria havido objeção
(presume-se que os Coordenadores do evento, confiaram nele)!

Não sei como fui colocada no automóvel dele,
que caminho foi tomado,
nem onde fui parar!...
Não me lembro absolutamente de nada!...
E, graças a Deus,
também não me lembro do que ocorreu
no local onde fui resgatada!...
Ainda de acordo com depoimentos posteriores
(de Jocistas que ficaram no "Retiro"),
quando fui levada pelo Jovem,
já me encontrava inteiramente adormecida!

Vale ressaltar, que,
após tão grave e constrangedor incidente,
apesar de toda
a minha coragem e determinação em lutar e reagir...
o que "de fato", aconteceu...
durante um certo tempo, enfrentei grandes conflitos...
e, muitas vezes,
fui assaltada por pensamentos negativos!...

Em um desses momentos, acidentalmente,
sofri um afogamento em um rio
(Rio Barra Nova), durante uma "cheia"!
Sobrevivi, porque Deus foi generoso,
permitindo que eu fosse salva!

Participaram do meu salvamento,
minha mãe e um jovem atleta,
que solidariamente,
resolveu apoiá-la naquele momento de extrema dificuldade,
pois sozinha, ela não tinha forças físicas para ajudar-me!

Enquanto me debatia,
lembro-me de haver emergido duas vezes!...
E quando já perdia os sentidos,
o meu último pensamento foi para uma cerimônia
de casamento simbólico, no mar,
que fazia parte dos meus sonhos e desejos!

A correnteza já arrastava o meu corpo desfalecido,
que colidia com objetos estranhos,
também arrastados pela fúria das águas...
Como se Deus lhes houvesse revigorado as forças,
minha mãe e o jovem atleta,
multiplicaram os esforços...
e, após várias tentativas,
quando ninguém mais
acreditava que eu seria encontrada,
milagrosamente, fui resgatada!

Demorei a recobrar os sentidos!
Quando abri os olhos, havia ao meu redor
uma pequena multidão!...
Minha mãe, exausta e assustada, chorava muito!...
Eu me sentia completamente aturdida...
mas, alguma coisa no meu íntimo, me dizia
que eu havia renascido!

Muito trêmula e emocionada,
engatinhei para perto de minha mãe,
que provavelmente experimentava a sensação
de haver me dado à luz pela segunda vez!
Então, pela primeira vez, depois de "guerreira", chorei!...
Sempre ouvi dizer que guerreiro, não chora!...
Todavia, naquele momento,
eu seria capaz de desafiar a própria lei da guerra!...

Que ruflassem os tambores!...
Que soassem os clarins!...
Pois, apenas uma coisa tinha importância para mim:
eu estava viva... e, precisava chorar!

Não tive tempo para agradecer ao jovem atleta,
pois ele já havia deixado o local...
Entendi que ele era uma daquelas pessoas maravilhosas,
que não esperam agradecimento pelas lindas ações praticadas!

Anos depois, àquele jovem maravilhoso,
morreu afogado, vítima de cãibras!...
Como era um profissional da natação,
e costumava desempenhar o papel de “salva-vidas”,
não lhe prestaram socorro, por não haverem compreendido
que ele se encontrava em dificuldades!
Fui tocada pelos sentimentos da tristeza e da impotência:
Ele fizera tanto por mim!... E, eu, nada pude fazer por ele!

A poesia circulava no meu sangue...
estava em mim, intensiva e forte...
falando de rio e de mar....


NO ENCONTRO DAS ÁGUAS...


Corre a água do rio, velozmente...
em seu fluxo eu mergulho e adormeço!...
Perene, ela segue, indiferente
às cruciantes dores que padeço!

Em meu delírio, as emoções se afrontam...
Procuro em vão, amenizar as mágoas...
E quando o mar e o rio, se encontram,
eu me entrego ao delirar das águas...

Das águas fundas da desilusão,
tento emergir, mas não consigo, não!


O acidente no rio, mexeu e remexeu com meus sentimentos!
Fiquei um certo tempo, confusa e melancólica!
Houve um momento em que desejei ardentemente,
encontrar alguém
que me quisesse de verdade...
e, ao mesmo tempo, eu repelia tal desejo!
No íntimo, eu me sentia marcada!

Por outro lado,
sempre prevalecia o sentimento de mágoa e de rebeldia:
eu tinha de continuar "guerreira", custasse o que custasse!


(Dilma Damasceno)

MINHA SAGA (FANTASIA VERSUS REALIDADE) - III



“APRENDENDO A CONVIVER COM A DOR”


O pai de minha mãe, foi mais que meu avô...
Acho que foi o melhor amigo que já tive!

Sabe àquele avô que andava a cavalo com a neta na garupa?
Que navegava rio abaixo com a neta na proa da canoa?
Que tirava o leite da vaca, bem quentinho, "espumando",
e o primeiro copo, era para a neta que não largava o seu pé?

O meu avô me chamava de "Nenen"...
E como Ele, os meus tios sempre me chamaram assim!

Eu adorava o meu avô!

Separar-me dele, foi a coisa mais difícil,
quando precisei vir para a cidade, estudar!...

Os primeiros meses foram muito duros.
Eu chorava muito! Estranhei o ambiente!...
O contato com a natureza, me fazia uma falta imensa!
E só me senti um pouco mais animada, quando passei a ter
a companhia do “meu pé de algodão pará”...

Meu avô, sempre que podia,
vinha me pegar nos finais de semana!...
Preocupado com a minha tristeza,
alegou aos meus pais que se encontrava
"doente do coração",
e que precisava alugar uma casa "na rua",
perto deles,
pois assim, eu poderia fazer-lhe companhia durante a semana,
e nos finais de semana,ir com ele, para o campo!...
Meus pais, concordaram!
A casa foi alugada, e voltei a ficar com meu avô!
Eu sempre soube que Ele fez àquilo,
unicamente por minha causa,
pois nunca teve medo de doença de espécie alguma,
e não gostava da vida urbana,
coisíssima” nenhuma!

Grande e bondoso, avô!

Como autêntico nordestino que era,
meu avô gostava muito de música sertaneja!
Era apaixonado pelas músicas de Luiz Gonzaga!

Luiz Gonzaga, foi o nosso Rei do Baião!
Cantava para o sertanejo sofredor,
e deixou músicas belíssimas, a exemplo de
"Asa Branca", seu grande clássico,
que ultrapassou fronteiras, e tornou-se conhecida e famosa,
não apenas no Brasil, mas também, em diversos Países!

Os meus avós maternos, chamavam-se:
Joaquim e Joana!
Eu os tratava carinhosamente, por:
"Papai Quinca" e "Mãe Joana"!

"Mãe Joana", havia ficado cega, muito nova!
Infelizmente, sua cegueira, era irreversível!
Ela era branquinha, pequena, delicada,
tinha os olhos muito azuis, da cor do céu...
Era bonita e melancólica, gostava de cantar,
e tinha uma bela voz.
Eu sentia muita ternura por Ela, e, tentava,
através das palavras,
fazer com que Ela enxergasse com a alma,
o que não podia enxergar com os olhos!

Já o meu avô, era de estatura alta!...
E, também, tinha os olhos azuis!
Era forte, corajoso, e bastante enérgico!...
Mas, comigo, sempre foi muito doce e carinhoso!

Para agradá-lo, eu cantava as músicas de Luiz Gonzaga,
que Ele mais gostava!
também, para agradá-lo, eu entrei para um curso de artesanato,
com o único objetivo de aprender a fazer chapéu de palha,
pois assim, eu poderia fazer chapéus para Ele usar no campo!

Diariamente, ao entardecer,
Ele caminhava ao redor da casa, e rezava um rosário...
Eu o acompanhava em silêncio!
Depois Ele se deitava numa rede, na sala!
Então, Ele acendia o cachimbo,
e enquanto fumava, eu, sentada sobre seus joelhos,
cantava sua música preferida!
Sempre que eu terminava,
ele pedia para que eu cantasse outra vez!...
Eu cantava!... Ele sorria!
Depois, visivelmente satisfeito,
Ele me contava as histórias de suas andanças!...
E, todo dia, era sempre a mesma coisa!

Eis um versinho da música de Luiz Gonzaga,
que mais cantei para o meu avô:

“Reinado, Coroa,
tudo isso, o baião me deu...
Estrela de Ouro no meu Chapéu
Roupa de Couro e Gibão...
Como um milagre caído do céu,
fizeram-me o Rei do Baião...”

Em certo anoitecer, Ele pediu para que eu cantasse,
mais vezes do que de costume.
Eu terminava, e Ele pedia:
"Cante de novo, Nenen"!...
Eu cantava!...
Até, que num dado momento, terminei,
e Ele não pediu mais!
Pensei que tivesse adormecido. E tinha mesmo!...
Só que dormia o sono derradeiro!
Em sua boca, ainda pairava um sorriso, igualzinho
ao de momento antes, quando havia pedido:
"Cante de novo, Nenen"!...

Eu, que nada havia entendido, ainda,
continuava, ali, esperando!...
E Ele, não pedia!...
E nunca mais iria pedir!
Só que naquele momento, eu não sabia!
Ele estava com 85 anos!... Teve um enfarte fulminante,
e morreu silenciosamente, tal qual um passarinho!
Partiu enquanto eu cantava a música que tanto gostava!...

Meu Deus!
Eu tinha apenas 10 (dez) anos,
e ainda não havia visto ninguém morrer!...
E, ainda mais, comigo, no colo!
Eu não conhecia a tristeza de perder uma pessoa querida!

Quando finalmente, pude entender o que acontecera,
fiquei sem voz!...
Nem chorar, naquele momento, eu consegui!...
Senti uma dor surda, funda, indefinida!...
E mergulhei no silêncio!

O chapéu de palha que eu começara a fazer,
ficou pela metade!...
E por muito tempo,
permaneceu num cantinho do quarto em que Ele dormia,
entre o cachimbo e o rosário!

Na casa de campo dos meus avós,
ficaram residindo os meus tios,
que sempre me trataram com muito carinho!
Minha avó, obviamente,
passou a precisar mais ainda, de ajuda!

Sem "Papai Quinca", tudo ficou bastante triste!...
Passei muitos dias, calada!
Até que, em dado momento,
uma certeza chegou à minha consciência:
meu grande amigo havia ido embora!...
Eu não poderia mais contar com ele!...
E, precisava aprender a tomar conta de mim!

Resolvi que seria forte!... Muito forte!...
Que ajudaria a cuidar de minha avó!...
Que não haveria de temer às dificuldades!...
E, que lutaria de corpo e alma, para realizar os meus sonhos!

"Mãe Joana", passou a morar na casa dos meus pais!
E o meu gatinho,
que já não tinha mais o meu avô para cuidar dele,
veio também.
Felizmente, meu pai, mostrou-se indiferente,
e desde então, meu querido gato
passou a viver sob os meus cuidados!

Eu me revezava, ajudando minha mãe nas tarefas domésticas,
auxiliando minha avó no que ela precisava, e estudando!...
Meu pé de algodão pará, de vez em quando,
me dava lindas flores!
Deus, generosamente,
me permitia rever "Papai Quinca", em sonhos!...
E nos finais de semana, sempre que podia,
aproveitava para matar as saudades do campo!

Em 1966, "Mãe Joana" foi encontrar-se com "Papai Quinca"!
Senti uma sensação de vazio enorme, chorei muito,
porém um pensamento me consolava:
alguma coisa, me dizia, que ela, finalmente,
havia voltado a enxergar!

O tempo, foi passando!
Estranhamente,
passei a ter pressentimentos de que minha vida sentimental,
seria complicada e turbulenta...
e manifestava os meus presságios, escrevendo...
foi quando escrevi o soneto, a seguir:


VOU À TI, TRISTEZA!

“As esperanças são como as estrelas:
brilham, mas não trazem luz;
são lindas, mas ninguém as alcança.”
(COELHO NETO)


Eu bem quisera evitar-te, e no entanto,
já te sinto ao meu lado, caminhando!...
E enquanto te aceito no meu pranto,
a angústia, mal posso ir disfarçando.

Tu me olhas com ânsia e desencanto,
como quem sente a dor que vai causando!...
E então, minha mágoa cresce tanto,
que me rendo, e te falo, sussurrando:

Vou à ti, oh! Tristeza, e com carinho,
abraçar-te, beijar-te, e de mansinho,
repousar no teu leito acolhedor!...

Vou buscar-te, extremada companheira!
Entregar-te minh’alma aventureira!...
Conquistar-te, e depois... Morrer de Amor!

(Dezembro de 1967)

O tempo andou mais um pouquinho!...
... O meu corpo começava a sofrer transformações,
ganhava formas.
Eu desabrochava para a vida, de forma saudável!
Comecei a fazer parte da JEC - Juventude Estudantil Católica,
movimento que
me fazia um grande bem, considerando que,
nas horas vagas eu me dedicava
às crianças abandonadas (nos orfanatos)
e aos idosos carentes (nos asilos)!

A vida seguia rotineira.
Eu estudava... lia bastante... escrevia sem parar!...
E sempre que podia, corria para o campo!
Já então, eu era olhada de forma insistente,
pelos rapazes do Colégio.
Mesmo assim, não dava importância aos olhares.

Eu não participava de festas!...
Meu pai era muito rígido, e não permitia
a visita de rapazes, nem mesmo para as tarefas escolares,
realizadas em grupo.
Isso porém, não me chateava, pois em verdade,
eu não me preocupava com namoro.
Eu sabia que era muito nova, e no íntimo,
eu desejava que o amor só chegasse para mim,
quando me sentisse pronta para amar!

Comecei a escrever um diário...
entretanto, por mais que tentasse deixar a escrita
somente em forma de prosa... surgia sempre um versinho...
assim, os meus escritos foram incorporando
a figura do “ecletismo”.
E se “cadernos”, falassem... eu nem sei como faria
para conter as vozes que tanto me embalaram
no limiar dos sonhos e das ilusões...


POESIA DOS VERDES ANOS...

“O que é a originalidade?
Um plágio que não foi descoberto.”
(DEAN WILLIAM)


Na passarela da fantasia,
vou desfilando...
Seguindo os passos da poesia,
vou debutando...

Vou desfilando
com meus anseios primaveris...
Vou caminhando,
na esperança de ser feliz!

Na passarela do encantamento,
vou debutando...
entregue ao sonho e ao sentimento,
vou caminhando...

Vou desfilando,
embalando a alma e o coração...
vou debutando,
dançando a valsa da ilusão!

(Agosto de 1969 )


Aos 15 (quinze) anos, eu era uma adolescente romântica...
e vivia em completa interação com os encantos da natureza!...
Foi então que nos meus sonhos,
comecei a me fantasiar de "gazela", e, a "fazer de conta"
que corria em lindas savanas, plenas de esperança,
e, de liberdade!
Como "gazela",
eu procurava os sonhos cor de rosa,
imaginados pela adolescente
que debutava ternura, emoção e pureza!...
Eu ainda não tinha namorado!...
Entretanto,
o meu instinto feminino já me permitia imaginar
como seria o meu príncipe encantado:
Suave. Forte. Romântico. Carinhoso. Gentil. Lírico. Apaixonado!

Eu desejava que Ele surgisse, como surgem os Príncipes
nas histórias de Contos de Fadas!...
Eu me encontraria no campo, perto de um lago muito azul!...
Ele chegaria num lindo cavalo branco!...
Eu sonhava!... Sonhava!... Sonhava!...
No meu sonho, tudo era lindo e maravilhoso!...
E, então, tudo transformou-se em pesadelo,
de grotesca violência!
Quase, morri!

Vítima de um golpe traiçoeiro, completamente inconsciente,
fui levada para um local deserto, onde,
algum tempo depois, fui encontrada desfalecida!
Resgatada por pessoas bondosas,
e em estado de inconsciência total,
fui examinada no pronto socorro médico.
Os exames revelaram que havia sido narcotizada.
Só depois de 24 (vinte e quatro) horas de sono ininterrupto,
recobrei os sentidos!...
Felizmente, não me lembrava de nada!

Quando, finalmente, fui devolvida à minha família,
eu já não era a criatura compreensiva e suave
que sempre fora!
Tinha o olhar assustado, o coração machucado, a alma ferida!

Naquele momento,
não tinha forças,
nem percepção,
nem palavras,
para manifestar coisa alguma!
As pessoas falavam, falavam, e eu nada entendia!
Tudo que eu sentia,
era uma angústia inexplicável, indescritível, insuportável!...
E, ao mesmo tempo, uma necessidade miserável de chorar!

Tarde fria!... Amarga!... Abominável!...
E, ao mesmo tempo, inesquecível!...

Eu nunca desejei tanto, uma flor lilás,
como naquela tarde dorida!

Aturdida, desorientada, prestes, a desmoronar,
pensei no amor de Deus, e, em silêncio, roguei:
Meu Deus! Me dê forças!... Me ajude!... Me salve!

E eis que, de repente...
como se me acordasse de um sonho
que resistiu à violência, e à revolta...
uma voz falou mais alto em meu íntimo:
"Não se entregue! Você é forte! Não chore!
De que adianta chorar?!...
Lute! Resista! Reaja!
A vida, está apenas, começando
!"

Não chorei!

Minha expressão, porém, mudara!...
Mostrava-se dura, e determinada!
Minha mãe, que parecia ser vidente (pois, seu olhar
sempre desvendava o que transparecia no meu rosto),
visivelmente preocupada, perguntou:
"O que você pretende fazer"?

A resposta foi rápida, e, definitiva:
- Ir à luta!

Não houve protesto!...
Estava escrito no meu rosto...
transparente na minha voz...
espelhado no meu olhar:

Morria, a "adolescente romântica"!
Nascia, a "mulher guerreira"!

(Dilma Damasceno)