quarta-feira, 19 de maio de 2010

SOL DE VERÃO (II)



Sol de Verão (II)



A brisa envolve a paisagem;
revitaliza os sentidos…
aguça o cheiro das flores!
E como é linda a imagem
dos pássaros, - enlouquecidos -,
cantando canções de amores!

“Abra a porta e a janela”!...
Sinta o gosto do prazer!
Mergulhe nesta aquarela;
deixe o sonho acontecer!

Freme a vida, impregnada
de aromas envolventes!...
Os raios incandescentes
da manhã ensolarada,
tingem de ouro o telhado,
onde um bentivi saltita,
e com voz grave e bonita,
em ritmo cadenciado,
canta alto: “bem te vi”!
… Eu me perco no esplendor
dos seus acordes de amor,
- os mais belos que ouvi!

Acariciante, - e doce -,
a brisa, agora, parece
soprar em forma de prece!…
E sopra, como se fosse
a oração da pureza,
em comunhão com a vida!
Com a alma embevecida,
eu rezo a doce oração!...
Quem reza, é meu coração!
Quem ouve, é a Natureza!



(Dilma Damasceno)
Cascais-Portugal, em 19 de Maio de 2010

terça-feira, 18 de maio de 2010

SOL DE VERÃO (I) - RELEITURA



Neste 18 de Maio, despertei ligeiramente atordoada…
tenho experimentado algumas mudanças, envolvendo:
clima, estações do ano, usos e costumes, etc. etc. etc…
Na Europa, é Primavera; na América do Sul, é Outono.
Tento pois, esquecer o meu atordoamento,
recordando algumas leituras do tempo escolar:
o período quente (em latim: "ver"), era dividido em três fases:
uma delas, o Prima Vera (literalmente: "primeiro verão").
Então, penso: deve ser por isso que estou a sentir
um delicioso cheiro de primavera com sabor de verão…
o que me anima à releitura de um poema que escrevi
em 28 de Setembro de 2007.
E para identificar a fonte inspiradora do sentimento manifestado, eis as referências:
América do Sul/Brasil/Nordeste/Rio Grande do Norte/Macaíba/Lima…
Fazenda Bela Vista (meu “recanto caboclo”)…

Era uma linda manhã de Primavera…
depois de ter feito um tour pela orla marítima de Natal/RN,
fui para o campo, - meu habitat natural -,
onde me sinto completamente identificada com a natureza
e com a simplicidade!


SOL DE VERÃO (I)
(Releitura)


Os passarinhos gorjeiam
em bandos, pela floresta...
Nas praças, os namorados
fazem promessas de amor!...
Adolescentes, passeiam
felizes, de braços dados!...
Canta alegre, o trovador!...
No mar, é tempo de festa!

Resplandece a poesia
que rege amor e paixão!...
Tudo é sonho e sinfonia...
No céu, é sol de verão!

- Venha ver o esplendor
que veste o mar, colorido
pelas mãos da Natureza!
Deixe o sonho embriagador
retornar, enlouquecido!...
Venha ver quanta beleza!

Há flores pelos caminhos,
e no áspero rochedo,
as aves fabricam ninhos!...
Não há razão para o medo!

O corpo, ardendo em desejos!
Um forte apelo no olhar!
O vento, trazendo beijos!...
Meu Deus! Como é bom amar!

- Acorda, criança bela!
O verão, brilha no ar!
Olhando o céu, descobri
a sedução que aflora!...
A borboleta amarela,
candidamente, a bailar,
conquistou o colibri,
sob os raios da aurora!

… O céu turquesa, brilhando!…
O mar, pela luz, envolto!...
O sentimento, jorrando!...
O amor, voando solto!

Luminoso amanhecer!...
Deslumbrante paraíso!...
Assim, não dá para ter
nem um pingo de juízo!

Subindo montes de areia,
pulando cercas de arame,
ai, que louco coração!
Adormecida sereia,
não sinta medo!... Só, ame!
Acorde!... É sol de verão!

(Dilma Damasceno)

segunda-feira, 22 de março de 2010

AMIZADE EM TOM MAIOR



(RELEITURA)

RELATO


JOÃO DE BRITTO NAMORADO


Nasceu em Ilhavo, província de Aveiro, Portugal,
em 14 de janeiro de 1896 e, lá,
teve infância e adolescência normais.

Em 1917 veio, com seu seu pai, para o Rio de Janeiro,
onde conseguiu empregar-se em nossa Marinha Mercante,
chegando a piloto de um cargueiro de longo curso,
o Corcovado.

Em uma de suas viagens, em 1922, passando por Macau,
para apanhar um carregamento de sal, conheceu Hilda,
por quem se apaixonou.
Todavia, o pai da amada impôs,
como condição para o noivado, o desembarque
de Namorado. E ele assim fez.
Deixou a marinha mercante e veio para o Rio Grande do Norte,
trabalhar na Algodoeira São Miguel, com os ingleses.
Logo em seguida conseguiu ingressar
na Prefeitura Municipal, por concurso, como contador.
De lá só saiu trinta-e-cinco anos depois, aposentado
por tempo de serviço.
Certa vez, durante a gestão de Omar O'Grady como Prefeito,
aí pelo anos quarenta, creio, chegou a governar a cidade,
no impedimento do titular.

Em 1927, Namorado casa-se com Hilda,
iniciando uma ligação bonita, lírica e romântica,
que só seria interrompida com a morte dos dois.
Caminharam até o fim, unidos e apaixonados como
no primeiro encontro. Tiveram três filhos,
e um deles, Paulo, único homem, os precedeu na morte.

 
Para complementar suas finanças, Namorado instalou,
na avenida Rio Branco, um estúdio de fotografia e,
durante a guerra,
ficou conhecido pelos americanos que aqui estiveram,
pois, além da venda de filmes e material,
de revelações e ampliações,
Namorado era um ótimo técnico no assunto,
consertando qualquer defeito em máquina fotográfica.
Foi nessa época em que mais me aproximei dele,
até mesmo pela minha mania de fotografia,
que me levou a descobrir, pelo convívio,
um ser bonito e profundamente humano.
A firma era registrada como H. Namorado, nome de Hilda,
de vez que Namorado era funcionário municipal
e não poderia ter o negócio em seu nome.
Por causa disso, de brincadeira, eu passei a tratá-lo de
seu Agá (H) e assim ficou, ao longo de
todo nosso relacionamento.

Fisicamente, seu Agá se parecia com uma figura
de El Greco, na sua longilineidade mística.
Já aposentado e depois de fechar o seu estúdio na Rio Branco,
seu Agá, para passar o tempo, montou, em sua casa,
uma pequena oficina, onde se divertia,
consertando máquinas fotográficas de amigos e conhecidos.
Isso quando não estava na sala, com Hilda,
quase sempre de mãos dadas,
ouvindo ou assistindo novelas no rádio e na televisão.

Certa vez, em uma de nossas viagens, passando por Lisboa,
minha mulher recebeu do senhor Jaime Gil Vila,
um simpático e gentil português que tinha uma loja de flores
no térreo do hotel onde estávamos hospedados,
um "bouquet" de rosas vermelhas e um pé de mangerico
(árvore símbolo de Portugal), em um pequeno vaso de cerâmica,
gravado com a palavra "amizade".
A gentileza da oferta, é claro, emocionou minha mulher
até às lágrimas e, de volta a Paris, durante o tempo que lá estivemos,
o pé de mangerico foi tratado com carinho especial,
mas, infelizmente, terminou morrendo.
Sobrou o vaso de cerâmica, com a palavra "amizade"
e um pouco de terra de Portugal,
que minha mulher resolveu trazer para o Brasil
e dar de presente a Hilda e Namorado.

O dia da entrega foi uma coisa séria.
Depois de contar a história e a origem da terra,
Namorado, tocado de emoção até a mudez completa,
mergulhava os dedos na terra do pequeno vaso,
rosto vermelho e lágrimas descendo na face magra,
como se quisesse prender nas mãos a velha pátria.
Tivemos receio que o seu também velho coração
não aguentasse a carga.

Já depois da morte de Namorado, soubemos por sua filha
Vilma Lúcia Namorado França,
casada com Aderson de Carvalho França,
nossos amigos queridos que possuem um belo garoto que,
em homenagem ao avô,
se chama João de Britto Namorado Neto,
que Hilda, a quem chamávamos, carinhosamente
de "Didizinha",
pusera aquela areia em um saquinho de seda e que,
quando Namorado morrera,
ela colocara o saquinho sob a sua cabeça,
para que ele repousasse também
sobre a terra em que nascera.

De outra feita, também em Lisboa,
o mesmo senhor Jaime Gil Vila,
que tem sempre guardado para nós um gesto bonito,
deu à minha mulher uma bela rosa, ainda em botão.
Durante três dias essa rosa nos acompanhou,
esteve no mosteiro dos Jerônimos,
foi fotografada ao lado do túmulo de Camões e,
já aberta, viajou conosco para o Brasil.
Minha mulher a colocara em dois sacos plásticos com água,
onde mergulhara sua haste e pusera o saco em sua bolsa,
deixando apenas a rosa de fora, para respirar.
Essa rosa foi vedete na viagem. Todos queriam saber dela
pelos cuidados que minha mulher lhe dispensava.
Um espanhol, que julgamos ser da galícia, pela pronúncia,
perguntou se ela era uma rosa especial.
Minha mulher respondeu que sim,
que era uma rosa recebida de um amigo vivo
e que se destinava ao túmulo de um amigo morto.
O amigo era João de Britto Namorado.
Infelizmente a rosa não chegou ao seu túmulo.
No aeroporto de Recife, um fiscal do Ministério da Saúde ou da Agricultura, tomou a rosa de minha mulher
e incinerou-a, por ser de lei, disse ele.
Não adiantaram as justificativas e as alegações sentimentais
de minha mulher e minhas.

Namorado morreu em 9 de setembro de 1974.
Didizinha falava a todo instante:
"Que saudade!
Que é que eu vou fazer aqui, sem Namorado?
Quero me encontrar com ele."
Um mês e dezoito dias depois, a 27 de outubro de 1974,
sem nenhuma doença física, Didizinha morreu.
De saudade e de amor.
Seu túmulo, no cemitério Parque,
está ao lado daquele que fora seu tudo.

Hoje, Didizinha e Seu Agá
andam de mãos dadas pela eternidade.
(Augusto Severo Neto)

Trata-se de uma história real, extraída do Livro:
De LÍRICOS e de LOUCOS,
de autoria de "Augusto Severo Neto".
No caso em tela, os personagens eram somente, líricos!

Quando, há muitos anos atrás, li este relato
pela primeira vez,
fiquei imensamente sensibilizada.
Senti-me diante de um quadro impregnado
de amor verdadeiro,
profundo, imensurável e eterno!

Agora, a emoção se repete.
A esta altura do campeonato,
com a compreensão que passei a ter sobre a força do sentimento, o amor de
João de Britto Namorado e Hilda Namorado,
parece ainda mais profundo!

Quero pois, homenagear os meus amigos portugueses:
Carlos e Rosa,
residentes em Évora, na Região do Alentejo, proprietários do espaço: (http://spaces.msn.com/webintercam/),
oferecendo-lhes esta bonita história,
por me sentir plenamente convicta de que, Eles,
que se amam profundamente,
e que sempre viveram de mãos dadas,
viverão assim, eternamente!

Cumpre-me salientar que, ontem,
movida por sentimento inexplicável,
estive no local onde repousam os personagens principais
da história, levando duas rosas vermelhas.
Fiz uma prece e lhes ofereci as rosas.
A de Hilda Namorado, externei que era um presente meu.
A de João de Britto Namorado,
tomei a liberdade de externar
que era um presente dos amigos portugueses, Carlos e Rosa!
Acho que "Seu Agá" e "Didizinha",
abstraíram o sentido da oferenda!

Confesso que saí de lá, com a sensação de haver resgatado
a bela flor sacrificada em Recife/PE,
que embora tenha sido transportada com especial carinho,
pelos amáveis portadores, teve o seu percurso interrompido,
deixando de ser entregue ao destinatário!

Encerro esta homenagem,
registrando um desejo muito especial:

Que Deus fortaleça mais e mais, a união de Carlos e Rosa!...
E que Eles continuem a passear de mãos dadas, fisicamente,
por muitos e muitos anos!

(Dilma Damasceno)
Natal/RN-Nordeste-Brasil, em 07 de Maio de 2006
http://dd-vivendo-e-aprendendo.spaces.live.com/

Adendo

Hoje, tenho “Visto de Residência” em Portugal,
e também tenho o privilégio de saborear o aconchego da amizade de
Carlos e Rosa.
De vez em quando, eu e o meu Quim, vamos a Évora,
visitá-los.
E de quando em vez, Eles nos visitam em Cascais.

Meus “Amigos Para Sempre”, Carlos e Rosa,
merecem todas as bênçãos e todas as dádivas
que somente o amor fraterno e solidário, conquista!

Com reconhecimento, admiração, e carinho,
renovo a Homenagem,
reiterando os votos para que continuem a passear de mãos dadas, fisicamente, por muitos e muitos anos...
e acrescento o desejo de que permaneçam passeando de mãos dadas, espiritualmente, para sempre!

A manifestação que segue, reafirma esta homenagem dupla,
e é composta de dois acrósticos,
que embora pequeninos e singelos,
falam sobre pessoas grandes de alma e de coração:



Carlos Ferreira, generoso ser,
Amigo certo das horas incertas
Rogo a Deus que ilumine o seu viver,
Lastreando de doce claridade,
O seu lar, cujas portas sempre abertas,
São imantadas com a AMIZADE!

                           &

Rosa Ferreira, amiga generosa,
O seu jeito de amar, é sempre amando,
Semeando o amor, e cultivando
A doce essência da SUPREMA ROSA!


(Dilma Damasceno)
Cascais-Portugal, em 22 de Março de 2010

domingo, 28 de fevereiro de 2010

QUANTO É BELA, A NATUREZA!




Na tela do sentimento,
sob a luz inspiradora
de “idílica paisagem”,
retorna ao meu pensamento,
- fremente de singeleza -,
uma dulcíssima imagem!


… O sol, já alto, brilhava.
Sobre uma bela roseira,
um beija-flor azulzinho,
alegremente, voava!…
Voava sobremaneira,
e parecendo adivinho,
veio vindo em direção
à roseira perfumada!...
Sua figura azulada,
encantou meu coração!


Veio, como quem sabia
que na roseira viçosa
uma rosinha amorosa,
nascida ao raiar do dia,
esperava impaciente
pelo beijo terno e quente!…


O beija-flor fascinante,
alí, estático no ar,
era um encanto sem par:
retrato azul da pureza!
A rosa rubra, - brilhante -,
enrubescia a paisagem!
… E vi na singela imagem,
quanto é bela, a natureza!


(Dilma Damasceno)
Cascais-Portugal, em 28 de Fevereiro de 2010

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

UM BELO QUADRO




Escuto o meu coração,
pulsando emocionado…
e bem sei qual a razão:
um belo quadro, encarnado
de “buganvília”… e, num galho,
ao sabor do vento, um ninho,
onde um lindo passarinho,
sente a carícia do orvalho!


Quisera, meu Deus, quisera
sob a luz da natureza,
contemplar tanta beleza,
na vindoura primavera...
e pelo resto da vida!
Quisera seguir assim,
por essa estrada florida,
sentindo esse benquerer!…
Quisera, enfim, sempre ter
meu “benquerer” junto a mim!


… E seja lá onde for,
vivermos na benquerença,
curtindo a ressaca intensa
da embriaguês do amor!


(Dilma Damasceno)
Cascais-Portugal, em 24 de Fevereiro de 2010

"COMPENSANDO" AS EMOÇÕES





Houve um ciclo em meu viver,
que trilhei duros caminhos!...
Foi dorido, florescer,
tendo que ceifar espinhos!...


Porém o tempo passou…
e na contabilidade
do meu viver, começou
a fluir serenidade!…


Serenou a amargura.
Fluíram, em contrapartida,
os afagos da doçura!…
Senti-me fortalecida!
Fazendo a compensação
das emoções, percebi
que na conta: “coração”,
ganhei mais do que perdi!


De sonho em sonho, a feição
da vida, - que era pálida -,
ganhou cor, tornou-se cálida
ao sabor da emoção!


Genuíno e sonhador,
meu coração, satisfeito,
- impregnado de amor -,
brinca de roda em meu peito!


(Dilma Damasceno)
Cascais-Portugal, em 24 de Fevereiro de 2010

domingo, 14 de fevereiro de 2010

VOZ DA POESIA



Se penso em como seria o mundo, sem poesia, logo imagino
que seria extremamente amargo,
pois sempre achei que a poesia, é uma espécie de açúcar da vida!

É muito bom constatar que o mundo tem manifestações de doçura!...
A natureza é pródiga... e Deus protege os que se amam!
Na jornada da vida, - entre a razão e a emoção -, é importante
absorver e preservar os sentimentos
de esperança, de desejo, de paixão, de amor, e de ternura!...

Sou admiradora da poesia universal,
porém a minha leitura poética sempre esteve voltada para
poetas brasileiros e portugueses!

São "muitos", os Poetas que me enternecem com seus belos versos!
Não vou nominá-los para não correr o risco de cometer injustiças.
Mas, realço, terem elaborado seus escritos,
em sintonia com as convicções e com os sentimentos,
o que valorizo, respeito, e admiro!

Há poucos dias, o gentil amigo Carlos Ferreira,
alentejano e eborense,
depois de ler o meu escrito: “À LUZ DE UM TERNO OLHAR…”, presenteou-me com o lindo soneto “AMAR”,
da inesquecível Florbela Espanca.

E enquanto escrevia agradecendo ao generoso amigo,
foram surgindo alguns versos,
resultando no simples acróstico que segue:



Florbela é voz da poesia!…
Lirismo do Alentejo!
O seu legado, - extasia,
Reina, e retrata no Tejo,
Belezas do Romantismo!
Enredos sentimentais,
Liberdade e Simbolismo,
Apontam seus ideais!


Exprime, o verbo “encantar”,
Sua escrita luminosa,
Perfeita e prodigiosa!
A sua forma de estar
Na vida, foi excitante!…
Com seu jeito apaixonante,
Amou… e, se fez Amar!


(Dilma Damasceno)
Cascais-Portugal, em 12 de Fevereiro de 2010